Web Content Viewer (JSR 286)

Ações
Carregando...

Central de notícias

|

Uma lona de circo, um palhaço e tantos significados...

Palco Giratório 2018 é lançado em Minas e apresenta a (re)existência das artes periféricas
Publicado em 26/03/2018 às 11:02Atualizado em 26/03/2018 às 11:02

Ana Cláudia Gonçalves

A entrada da Serraria Souza Pinto, em Belo Horizonte, trouxe um misto de sentimentos e um clima de muita nostalgia na noite da quinta-feira (22). Uma lona de circo, luzes de gambiarra, o cheirinho da pipoca, o algodão doce e o charme de artistas circentes enfeitaram a noite estrelada na capital mineira, que recebeu, pela primeira vez, o lançamento nacional do Palco Giratório.


Palhaço Biribinha é o grande homenageado desta edição​ (Foto: Tarcísio de Paula/Sesc)

Orgulhosamente fora do padrão, a 21ª edição do maior circuito de artes cênicas do país, promovido pelo Sesc, lançou a temporada 2018 e trouxe para a cena a tradição do circo para celebrar a (re)existência das artes no país. O grande homenageado, o Palhaço Biribinha, é símbolo de engajamento e resistência das artes circenses no Brasil, além de completar 60 anos de carreira. “Eu tenho uma sorte muito grande de ser lembrado e homenageado em vida e agradeço ao Sesc por me proporcionar. Participar de um evento que busca resgatar a cultura do circo teatro, armando a lona bem no centro da capital mineira, foi um grande desafio e também uma grande vitória”, comentou o artista alagoano Teófanes Antônio Leite da Silveira.

Espetáculo de abertura: Eu sem você não sou ninguém (Foto: Tarcísio de Paula/Sesc)
 

Para as artes cênicas de Minas Gerais, receber a abertura do evento tem um gostinho especial. Há 18 anos, grupos mineiros fazem parte da circulação nacional da ação cultural, antes mesmo de ter um representante do Sesc em Minas na equipe de curadoria do projeto. O que prova a tradição cultural e das artes cênicas locais. “Minas tem uma produção tão diversa, rica, que sempre esteve  na nossa mira, desde o apuro técnico até as produções mais tradicionais. E essa participação tão contundente nessas duas décadas está ligada a essa questão de ser pioneira na ideia de nacionalidade. Os espetáculos e as experiências nascidas aqui são ímpares e de muita qualidade e que também nos proporcionam grandes reflexões”, afirmou o diretor de Cultura do Departamento Nacional do Sesc, Marcos Henrique Rêgo.

Para o show de abertura e de tantos espetáculos que ainda vão passar pela lona do palhaço Biribinha, uma enorme estrutura precisou ser montada e muito trabalho realizado. E toda essa estrutura foi transportada do Nordeste brasileiro para Minas, cruzando o país em um caminhão. “É uma honra para o Sesc em Minas receber a 21ª edição do Palco Giratório. Ao realizar esse evento percebemos o quanto é complexo fazer circo no Brasil. A logística para manter uma estrutura dessa é complicadíssima e as pessoas que fazem circo estão de parabéns pela luta e resistência da arte”, ponderou o diretor regional do Sesc em Minas, Luciano Fagundes.


Lona do circo Biribinha está montada na Serraria Souza Pinto (Foto: Tarcísio de Paula/Sesc)

A gerente geral de Cultura do Sesc em Minas, Eliane Parreiras, destacou como é especial o estado receber o lançamento do projeto. “Minas Gerais tem uma tradição e uma vocação cultural muito forte. Nas artes cênicas, temos uma produção que dialoga de maneira geral com todas as regiões do país. Isso fica fortalecido com o lançamento do Palco aqui”, salientou.

A magia do circo permanece...

Até o dia 28 de março, o público poderá participar de uma extensa programação com espetáculos, oficinas circenses com a trupe do Biribinha, debates e intervenções urbanas. O Sesc Palladium também recebe o circuito durante esses dias. Para participar das apresentações é preciso retirar o ingresso pela internet.

Outros artistas da cena local também marcarão presença no Palco Giratório. O grupo Teatro Público, Companhia Suspensa, Moisés, o Reio do Pedal e muitos outros unem seus talentos para destacar e bravar essa (re)existência e luta diária que travam ao longo de décadas.

Invasão de Palhaços na abertura do Palco Giratório 2018 (Foto: Tarcísio de Paula/Sesc)

Para matar a saudade...

Em junho, o circuito retorna para as terras mineiras e, além de Belo Horizonte, outras cidades terão o privilégio de receber o festival de artes cênicas. Contagem, Paracatu, Poços de Caldas, Montes Claros, Araxá, Uberlândia e Juiz de Foram são os privilegiados.