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Território sensível e delicado

Galeria de Arte GTO recebe exposição ‘Almofadinhas’, até 26/3. Confira!
Publicado em 17/02/2017 às 11:14Atualizado em 17/02/2017 às 11:14

Ana Paula Rachid

Um encontro, três artistas e uma ideia: dedicar-se a trabalhos no território do sensível e do delicado, tendo o bordado como um dos meios de produção de suas obras. Essa motivação culminou na exposição Almofadinhas, aberta ao público nessa quinta-feira (16/2), na Galeria de Arte GTO do Sesc Palladium. A iniciativa nasce da união de Fábio Carvalho/RJ, Rick Rodrigues/ES e Rodrigo Mogiz/MG cujo trabalho enfatiza a técnica do bordado na discussão da contemporaneidade e da tradição junto a abordagens sobre gênero, afetividade e sexualidade. A exposição pode ser visitada até o dia 26 de março, das 9h às 21h, e integra a programação do Verão Arte Contemporânea (VAC). A entrada é gratuita.

A exposição 'Almofadinhas' nasce do encontro de Fábio Carvalho/RJ, Rick Rodrigues/ES e Rodrigo Mogiz/MG (Crédito: Tarcísio de Paula/Sesc)

Sobre o termo “almofadinhas”, Rodrigo Mogiz explica que foi escolhido quando Rick Rodrigues encontrou um texto sobre uma suposta origem da palavra, em função da realização de um concurso de bordados e pinturas em almofadas em 1919 em Petrópolis, com a participação de rapazes ricos e afetados, sem muito o que fazer. Como o resultado não foi satisfatório para a maioria deles, houve uma revolta, muito noticiada na época, e os jornalistas, de uma forma pejorativa, apelidaram os participantes de “os almofadinhas”. Ao longo do tempo, esse termo foi então sendo reproduzido para designar pessoas muito arrumadinhas e frescas.

“Como já tínhamos trabalhos em almofadas, e dentro das figuras e dos imaginários deles havia um questionamento do bordado enquanto atividade de gênero, em função de sermos homens, o conceito foi criado aos poucos. Meus trabalhos fazem conexão com os de Rick e Fábio, com as afinidades que tínhamos entre as figuras (pássaros, marinheiros, soldados, figuras masculinas). Tenho quadros, almofadas, instalação e os alfineteiros que foram feitos especialmente para essa exposição”, comenta Rodrigo.

O trabalho de Rodrigo contempla quadros, almofadas, instalação e os alfineteiros, obra feita especialmente para essa exposição (Crédito: Tarcísio de Paula/Sesc)

Para Fábio Carvalho, talvez a maior diferença de seu trabalho em relação aos dos colegas é que o bordado é mais um recurso para ampliar a sua discussão poética, que é a superposição de estereótipos de gêneros. Seu objetivo é trazer a seguinte reflexão: é uma grande bobagem a ideia de que, por obrigação social, existem tarefas permitidas e aprovadas para homens e para mulheres. “No meu trabalho sempre haverá superposição de estereótipos de virilidade, de masculinidade, de força, de poder com o ornamental, com o decorativo, com fútil e com o frívolo, considerado do universo feminino. O universo masculino é da produtividade, do cartesiano e o da mulher é do ócio, na visão estereotipada da sociedade. Eu quero fundir os dois para que isso traga algumas vezes uma confusão da imagem. O bordado é importante porque ele em si é considerado uma tarefa feminina, homens não deveriam bordar. O fato de eu fazer bordado, além dos produtos gerados, já é uma estratégia poética”, afirma.

“O bordado é mais um recurso para ampliar a minha discussão poética, que é superposição de estereótipos de gêneros”, afirma Fábio (Crédito: Tarcísio de Paula/Sesc)

A delicadeza, a fragilidade humana, o real, o irreal e os sonhos são aspectos presentes nas obras de Rick Rodrigues, que possui uma pesquisa de desenho híbrido e, com isso, acabou chegando ao bordado muito recentemente. “Na verdade, aprendi o bordado com um irmão falecido e minha primeira série foi de passarinhos, que fiz em homenagem a ele. Quando éramos crianças, eu o via costurando couro na roça dos meus avós e ele, sem muita paciência, me deu a estratégia: ‘você vai e depois volta com a linha’”, comenta. Rick retornou em suas memórias afetivas e de sua infância e, em seus últimos projetos de desenho, chegou a essa estratégia lembrando-se dessa costura. Além disso, o bordado para ele é uma das formas de se desenhar. “Os meus trabalhos são sobre memória, infância, a vida no interior. Tenho trabalhos de uma exposição que eu fiz em 2016, que às vezes o desenho ganha a terceira dimensão e vira objeto, como por exemplo o trabalho do travesseiro e a caminha, que faz parte de uma coleção de miniaturas que eu tenho e que passaram a acontecer nos desenhos”, finaliza.

A delicadeza, a fragilidade humana, o real, o irreal e os sonhos são aspectos presentes nas obras de Rick Rodrigues (Crédito: Tarcísio de Paula/Sesc)

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