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As diversas formas de arte no Sesc Palladium

Noite desta terça marcou lançamento de ‘Trópico’ e primeira edição do ano do ‘Literaturas: questões do nosso tempo'
Publicado em 12/04/2017 às 17:30Atualizado em 12/04/2017 às 17:30

Priscilla Ázara

A temática do mês de abril De Repente Isso É Arte... está movimentando o Sesc Palladium com artes de diversos tipos. A última terça-feira (11/4) foi marcada pelo lançamento da exposição Trópico, do artista mineiro Rodrigo Borges, na Galeria de Arte GTO e de mais uma edição do Literaturas: questões do nosso tempo, desta vez com o tema A autoficção na cena literária contemporânea do Brasil.

A exposição Trópico é uma mistura de instalações e intervenções realizadas com fitas adesivas, cuja proposta é mexer no espaço em que está montada. “Ao longo das semanas os trabalhos vão desaparecer e vão se transformar em outros”, explicou o artista e professor na Escola de Belas Artes da UFMG, Rodrigo Borges. A sua pesquisa foi baseada em estudos da abstração geométrica na América Latina, suas influências nos anos de 1950 e 1960, na cultura indígena, eslava e até na cultura popular. “Entender quais são as influências dessa abstração, do Concretismo e do Neo Concretismo brasileiro é algo que me move nesse momento”, comentou.

A gerente do Sesc Palladium Milena Andrade Pedrosa e o artista mineiro Rodrigo Borges (Crédito: Tarcisio de Paula/Sesc)

Borges conta que ao conhecer o espaço da Galeria de Arte GTO notou que as janelas seriam grandes aliadas. “Optei por não fechar a galeria e usar a luz a favor da exposição. A fita adesiva é transparente e a sobreposição de cores cria outras cores. A galeria me deu a possibilidade de tirar proveito da potência do próprio material”. Outro ponto do espaço destacado pelo artista é a utilização do cubo branco como um lugar que permite movimentar os trabalhos. “Uma galeria como esta, com painéis que se movem, potencializa ainda mais as transformações”, disse. A visitação de Trópico tem entrada gratuita e acontece de 12 de abril a 21 de maio, de terça a domingo, das 9h às 21h.

Borges utilizou as janelas para utilizar a luz e dar amplitude ao ambiente (Crédito: Tarcisio de Paula/Sesc)

Também integra a programação da exposição o Workshop Desenhar Superfícies - Tramar (ou Tecer) o Ambiente, que será realizado de 9 a 12 de maio. As inscrições podem ser feitas aqui até o dia 2 de maio. Os modos de desenhar são diversos, como diversas são as superfícies. A proposta do workshop é buscar uma prática do desenho em superfície, mais do que sobre ela.

AUTOFICÇÃO
A primeira edição de 2017 do Literaturas: questões do nosso tempo recebeu três dos mais originais autores de ficção e de ensaio do Brasil sobre a chamada “autoficção”, um dos muitos hibridismos que caracterizam a literatura contemporânea. Julián Fuks, Ricardo Lísias e Manuel da Costa Pinto discutiram com o público sobre a razão de ser do fenômeno. “Recentemente tem-se mesclado de forma mais explícita as relações entre a ficção e a realidade, o que isso significa, que sentido tem e se acaba produzindo ou não uma relação de outra natureza com os leitores. Na minha opinião, sim”, explicou o escritor Julián Fuks.

Julián Fuks, Ricardo Lísias e Manuel da Costa Pinto debateram sobre a autoficção (Crédito: Tarcisio de Paula/Sesc)

Foi a primeira vez que o estudante de Literatura Iago Passos Souza, 21, participou do Literaturas. “O tema chamou a minha atenção e, por ter mais afinidade com a poesia, com outros gêneros e outros circuitos da literatura, me coloquei nessa oportunidade de ver coisas diferentes. Estou um pouco afastado da cena do romance, mas estar aqui foi muito importante para perceber e ver a força que diferentes circuitos de literatura criam na sociedade. Foi um encontro muito prazeroso”, contou.

O estudante de Literatura Iago Passos Souza (Crédito: Tarcisio de Paula/Sesc)

De acordo com o escritor Julián Fuks, muitas vezes a autoficção é avaliada apenas como uma espécie de narcisismo do autor, mas ele acredita que o fenômeno vai muito além. “Precisamos compreender como um elemento mais rico e mais amplo do que costuma ser concebido. A autoficção se insere em um contexto mais amplo, de vários hibridismos que têm tomado conta da literatura: romance se misturando com a historiografia, com a biografia ou com a autobiografia, com a reflexão crítica, com várias outras linguagens que não supostamente a sua”, ressaltou.

Debate reuniu diversas pessoas no Teatro de Bolso do Sesc Palladium (Crédito: Tarcisio de Paula/Sesc)

A advogada Mariane Cruz, 29, saiu do debate pensativa sobre a conversa. Ela e as amigas, Mariana Rodrigues e Marcela Santos, são amantes da literatura e viram uma oportunidade de aprender mais com os autores. “Saio daqui pensando em ler muita coisa para dominar melhor essa temática. Os autores foram muito didáticos e gostei, especialmente, quando Fuks falou sobre resistência, sobre sua história de vida e sua biografia. Talvez isso me leve a entrar nesse mundo da autoficção”, comentou Mariane, acrescentando que a literatura é capaz de transportar e instigar o leitor o tempo todo.